{"id":9517,"date":"2018-03-07T17:11:02","date_gmt":"2018-03-07T20:11:02","guid":{"rendered":"https:\/\/www.taglivros.com\/bloghlg\/entrevista-bahiyyih-nakhjavani-a-iraniana-recem-lancada-no-brasil\/"},"modified":"2018-03-07T17:11:02","modified_gmt":"2018-03-07T20:11:02","slug":"entrevista-bahiyyih-nakhjavani-a-iraniana-recem-lancada-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.taglivros.com.br\/blog\/entrevista-bahiyyih-nakhjavani-a-iraniana-recem-lancada-no-brasil\/","title":{"rendered":"Entrevista: Bahiyyih Nakhjavani, a iraniana rec\u00e9m-lan\u00e7ada no Brasil"},"content":{"rendered":"<p>Bahiyyih Nakhjavani, autora integrante da di\u00e1spora iraniana, exerce importante papel decifrando assimila\u00e7\u00f5es e experi\u00eancias das comunidades exiladas por meio de seus livros. Nascida no Ir\u00e3 em 1948, mas criada fora do pa\u00eds, Nakhjavani \u00e9 ex-professora e atualmente escreve ensaios e romances. Toda sua obra \u00e9 inspirada na cultura, hist\u00f3ria e \u201cpersonalidade\u201d iranianas, o que demonstra engajamento com as quest\u00f5es de sua terra natal.<\/p>\n<p>Sua trajet\u00f3ria somente come\u00e7ou no Ir\u00e3, mas se desenrolou inteiramente fora de l\u00e1. Carrega um forte sotaque brit\u00e2nico, que denuncia sua forma\u00e7\u00e3o, e tamb\u00e9m passou pelos Estados Unidos, Chipre, Fran\u00e7a e Uganda, pa\u00eds da sua primeira e \u201cid\u00edlica\u201d inf\u00e2ncia. Seus pais foram ao pa\u00eds africano professar a f\u00e9 Baha&#8217;i, uma religi\u00e3o de princ\u00edpios isl\u00e2micos que, \u00e0 \u00e9poca, crescia no mundo. A escritora manifesta a religiosidade, heran\u00e7a dos av\u00f3s, at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>Entrevistamos a escritora, que acaba de ter sua obra publicada no Brasil pela primeira vez com exclusividade aos associados da TAG: na caixinha de fevereiro da TAG Curadoria, enviamos o livro\u00a0<em>O alforje<\/em>, escolhido pelo curador Alberto Manguel. O livro ganhou tradu\u00e7\u00e3o de Rubens Figueiredo e uma edi\u00e7\u00e3o especial em capa dura.<\/p>\n<p><figure id=\"attachment_1258\" aria-describedby=\"caption-attachment-1258\" style=\"width: 720px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-1258 size-full\" src=\"https:\/\/www.taglivros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/KIT_FEVEREIRO6491230118230118-01.png\" alt=\"\" width=\"720\" height=\"480\" srcset=\"https:\/\/www.taglivros.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/KIT_FEVEREIRO6491230118230118-01.png 720w, https:\/\/www.taglivros.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/KIT_FEVEREIRO6491230118230118-01-300x200.png 300w, https:\/\/www.taglivros.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/KIT_FEVEREIRO6491230118230118-01-150x100.png 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 720px) 100vw, 720px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1258\" class=\"wp-caption-text\">Kit de fevereiro da TAG Curadoria<\/figcaption><\/figure>\n<\/p>\n<p><strong>TAG &#8211; Voc\u00ea afirma que <em>O alforje<\/em> tem uma rela\u00e7\u00e3o de intertextualidade com livros sagrados de diferentes religi\u00f5es. Como voc\u00ea pesquisou esse material?<\/strong><\/p>\n<p>Bahiyyih &#8211; Pesquisei como se pesquisa qualquer outro assunto: atrav\u00e9s da leitura, pesquisando\/investigando textos, absorvendo o m\u00e1ximo poss\u00edvel dos livros sagrados de diferentes religi\u00f5es. Para essa hist\u00f3ria em particular, pesquisei especificamente as palavras \u201caut\u00eanticas\u201d, a mensagem \u201cespiritual\u201d atribu\u00edda a seus fundadores, porque eu sempre estive mais interessada em misticismo do que em teologia, no compartilhamento de princ\u00edpios morais do que em diferen\u00e7as entre doutrinas. Criada em uma fam\u00edlia Baha\u2019I, fui encorajada desde a inf\u00e2ncia a ver as aparentes contradi\u00e7\u00f5es entre religi\u00f5es como diferentes express\u00f5es de uma mesma verdade, como caminhos diferentes que levam ao mesmo destino\/objetivo. Em <em>O alforje<\/em>, quis transmitir a rica diversisdade de tradi\u00e7\u00f5es religiosas no mundo e o \u00e2mago espiritual comum que todos dividem. Al\u00e9m do mais, eu estava fascinada pelo recorrente tema do ju\u00edzo final em tantas escrituras sagradas, a no\u00e7\u00e3o de que h\u00e1 um dia para acertar as contas no qual todos n\u00f3s dever\u00edamos<em> reconhecer<\/em>. Eu me perguntei \u201ce se\u201d esse dia fosse como qualquer outro, que a maioria de n\u00f3s nem perceberia que estivesse acontecendo? \u201cE se\u201d ele fosse desencadeado por uma aparente coincid\u00eancia, afetando um personagem ap\u00f3s o outro em um mesmo lugar no curso de vinte e quatro horas, como um tipo de rea\u00e7\u00e3o nuclear? Todas as hist\u00f3rias s\u00e3o, de fato, aquele \u201cDia\u201d para os personagens que as protagonizam e, como muitos escritores, eu estava, para todos os efeitos, brincando de Deus! Espero ser perdoada!<\/p>\n<p><strong>TAG &#8211; <em>O alforje<\/em> \u00e9 narrado a partir m\u00faltiplos pontos de vista. Voc\u00ea pode explicar sobre esse mecanismo e como ele funciona para voc\u00ea? <\/strong><\/p>\n<p>Bahiyyih &#8211; Os diferentes usos de ponto de vista caracterizam o enredo e o clima de diferentes romances. Eu escrevi <em>O alforje<\/em> sob a perspectiva do narrador onisciente, usando a chamada \u201cTerceira pessoa ilimitada\u201d para resumir o passado, entrar nos sentimentos do presente e ainda sugerir o futuro de nove personagens. No meu segundo romance, \u201cPaper\u201d, o escriba, que \u00e9 o protagonista, tem um ponto de vista dominante, e no meu terceiro, The Woman Who Read Too Much, existem quatro diferentes perspectivas emblem\u00e1ticas dos quatro pap\u00e9is da mulher como m\u00e3e, filha, irm\u00e3 e esposa. Cada uma oferece um ponto de vista em terceira pessoa limitada, do qual observa a figura central da hist\u00f3ria. Os personagens s\u00e3o inspirados em quatro personalidades reais do Ir\u00e3 do s\u00e9culo 19, que viveram na \u00e9poca da Fatimeh Baraghani. Por\u00e9m, o meu \u00faltimo romance, \u201cUs &amp; them\u201d, \u00e9 uma s\u00e1tira contempor\u00e2nea sobre a di\u00e1spora iraniana nos dias de hoje, e aqui a voz do \u201cn\u00f3s\u201d aparece em conjunto com a narrativa do \u201cela\/ele\u201d. Intercalando entre os cap\u00edtulos da hist\u00f3ria sobre idosa que deixa o Ir\u00e3 e viaja entre as casas de suas duas filhas em Paris e Los Angeles. H\u00e1 mon\u00f3logos coletivos usando o ponto de vista do \u201cn\u00f3s\u201d para espelhar as m\u00faltiplas facetas da psiqu\u00ea persa ao redor do mundo. Sou fascinada pela maneira com que esse mecanismo ajuda a escrever diferentes hist\u00f3rias, a ver diferentes facetas de personalidades, e a projetar diferentes luzes em diferentes tempos.<\/p>\n<p><strong>TAG &#8211;\u00a0As pessoas de seu credo \u2013 a f\u00e9 Baha\u2019I \u2013 vivem uma situa\u00e7\u00e3o complicada no Ir\u00e3. Voc\u00ea acha que a intoler\u00e2ncia religiosa afeta a produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria em seu pa\u00eds?<\/strong><\/p>\n<p>Bahiyyih &#8211; Essa \u00e9 uma quest\u00e3o que provoca o pensamento; obrigada por faz\u00ea-la. A situa\u00e7\u00e3o dos Baha\u2019is no Ir\u00e3 \u00e9, de fato, complicada, e contradit\u00f3ria. Essa comunidade \u00e9 a maior minoria religiosa n\u00e3o reconhecida no pa\u00eds: come\u00e7ou no Ir\u00e3, tem suas ra\u00edzes no Ir\u00e3, e seu vasto corpo de literatura \u00e9 enriquecido pela cultura persa. E, mesmo assim, por causa tanto de sua vis\u00e3o global e quanto de seus princ\u00edpios modernistas, \u00e9 considerada pelo atual regime um an\u00e1tema, uma apostasia, uma implanta\u00e7\u00e3o estrangeira. Como resultado, os Bahai\u2019s no Ir\u00e3 s\u00e3o severamente perseguidos. Eles t\u00eam o direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o negado, passam por estrangulamento econ\u00f4mico e s\u00e3o presos ou mortos com base em acusa\u00e7\u00f5es tortas. Mas, enquanto a liberdade \u00e9 restrita e a vida, comprometida, a situa\u00e7\u00e3o Baha\u2019I tamb\u00e9m \u00e9 cl\u00e1ssica. H\u00e1 grupos perseguidos em todo o mundo, infelizmente. Minorias como os Yazidis, os curdos e os Rohingya, apenas para nomear alguns, suportam \u201ccomplica\u00e7\u00f5es\u201d aterradoras. De fato, o problema \u00e9 end\u00eamico: minorias t\u00eam sido sujeitadas a viol\u00eancia, opress\u00e3o e preconceito cego em todos os lugares, atrav\u00e9s da hist\u00f3ria. Em outras palavras, a situa\u00e7\u00e3o dos Baha\u2019I n\u00e3o \u00e9 \u00fanica.<\/p>\n<p>Sobre a segunda parte de sua pergunta \u2013 como a intoler\u00e2ncia religiosa afeta os escritores? Quais s\u00e3o as consequ\u00eancias do fundamentalismo na arte? \u2013 esses desafios s\u00e3o um teste para a coragem e a honestidade de todos os iranianos, dentro e for a do pa\u00eds. Qualquer pessoa familiarizada com o \u201cnovo\u201d cinema iraniano, por exemplo, pode ver o n\u00edvel de beleza e sutileza que ele consegue atingir mesmo sob censura. E, enquanto certos escritores copiam g\u00eaneros ocidentais ou sensacionalizam sofrimento e tortura de modo a representar o Ir\u00e3 como uma pris\u00e3o, outros t\u00eam a coragem de destacar uma hist\u00f3ria diferente. Shabnam Tolouie, uma atriz Baha\u2019i que precisou sair do pa\u00eds por conta da persegui\u00e7\u00e3o, dirigiu em 2016 um filme lindamente po\u00e9tico e escrupulosamente objetivo sobre a coragem e a vis\u00e3o de Tahirir Qurratul\u2019-Ayn, que foi completamente erradicado da hist\u00f3ria persa atual. Mahvash Sabet, poeta Baha\u2019I que foi solto depois de 10 anos na pris\u00e3o, foi recentemente reconhecido como um \u201cEscritor de Coragem\u201d por Michael Longley, ganhador do pr\u00eamio PEN Pinter de poesia, em outubro de 2017. Mais e mais artistas, ativistas e mesmo cl\u00e9rigos iranianos t\u00eam se posicionado pelos direitos dos oprimidos no Ir\u00e3, seja por meio de arte e filme, seja por reportagens e livros. Eles t\u00eam sido extraordinariamente bravos ao apontar essas injusti\u00e7as. E, se eles conseguirem transmutar intoler\u00e2ncia em confian\u00e7a, se, em vez de privilegiar a vitimiza\u00e7\u00e3o, o trabalho deles consegue ser livre de amargura, ressentimento ou desejo por vingan\u00e7a, isso certamente \u00e9 um sinal de alto n\u00edvel de criatividade; \u00e9 prova do poder da surpresa art\u00edstica latente em uma cultura.<\/p>\n<p><strong>TAG &#8211;\u00a0O conceito de relatividade, pilar da filosofia Baha\u2019I, pode ser reconhecido na estrutura do livro. Voc\u00ea pode falar como sua f\u00e9 influencia sua arte?<\/strong><\/p>\n<p>Bahiyyih &#8211; N\u00e3o vejo diferen\u00e7as entre minha f\u00e9 e minha arte. Os dois est\u00e3o juntos, como o ar e a \u00e1gua que ambos precisam para sobreviver. E, j\u00e1 que qualquer f\u00e9 que vale a pena tem a ver com o que voc\u00ea faz, n\u00e3o com o que voc\u00ea diz, a estrutura daquilo que escrevo reflete invariavalmente os conceitos Baha\u2019i.<\/p>\n<p>Um conceito que definitivamente me influenciou, como voc\u00ea aponta, \u00e9 a no\u00e7\u00e3o de relatividade, de continuidade da verdade e de sua natureza progressiva. A perspectiva Baha\u2019i sobre o relacionamento das diversas religi\u00f5es no mundo \u00e9 paralela \u00e0 funda\u00e7\u00e3o da narrative linear para mim. Metaforicamente falando, religi\u00f5es diferentes s\u00e3o como cap\u00edtulos subsequentes em um livro que nunca termina. Isso \u00e9 particularmente apropriado em <em>O alforje<\/em>, em que cada cap\u00edtulo explora uma tradi\u00e7\u00e3o religiosa diferente, uma interpreta\u00e7\u00e3o religiosa diferente dos mundos descobertos pelos protagonistas.<\/p>\n<p>Outro conceito Bahai\u2019, muito satisfat\u00f3rio para um escritor, \u00e9 como percebemos a verdade. Em outras palavras, a verdade \u00e9 t\u00e3o vasta, t\u00e3o imensa, que somente podemos perceb\u00ea-la de forma parcial e, mesmo assim, de pouco a pouco. Longe de admitir uma mir\u00edade de \u201cverdades\u201d diferentes e contradit\u00f3rias, portanto, a ideia Baha\u2019I \u00e9 que h\u00e1, em vez disso, uma m\u00edriade de perspectivas diferentes e aparentemente contradit\u00f3rias sobre a verdade. Confundir nossas limita\u00e7\u00f5es com possibilidades, como escreveu Golding, \u00e9 minar a hist\u00f3ria. O lugar, o tempo, os eventos do dia e da noite s\u00e3o os mesmos em <em>O alforje<\/em>, mas todos os personagens \u201cleem\u201d o enredo de maneira diferente.<\/p>\n<p>T\u00e3o logo conseguimos reconhecer diferen\u00e7as como express\u00e3o n\u00e3o de limita\u00e7\u00e3o, mas de riqueza e de variedade, podemos sentir pelos personagens, nos atra\u00edmos por eles n\u00e3o importa o qu\u00e3o corruptos eles possam ser. E, sem essa atra\u00e7\u00e3o, sem essa habilidade de se identificar com essas fic\u00e7\u00f5es, quem gostaria de ler o livro? A lei do amor governa a todos, das estrelas \u00e0 sintaxe, e, se a escrita pode inspirar amor para a humanidade em vez de desgosto, inspirar amor pelo planeta em vez de cinismo, amor pelo mist\u00e9rio que \u00e9 a fonte criativa de ambos, em vez de nega\u00e7\u00e3o \u2013 h\u00e1 chances de uma hist\u00f3ria funcionar.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, ser\u00e1 que minha f\u00e9 influencia minha arte? Ou ser\u00e1 que ela \u00e9, na verdade, intr\u00ednseca a ela? Eu n\u00e3o sei. Tudo o que sei \u00e9 que pensar muito a respeito disso produz propaganda em vez de literatura!<\/p>\n<p><strong>TAG &#8211; Sua fic\u00e7\u00e3o trata os temas de imigra\u00e7\u00e3o, ex\u00edlio, identidade e di\u00e1sporas. O que voc\u00ea pensa da atual situa\u00e7\u00e3o de imigra\u00e7\u00e3o iraniana?<\/strong><\/p>\n<p>Bahiyyih &#8211; H\u00e1 um velho ad\u00e1gio: escreva sobre o que voc\u00ea sabe. \u00c9 o que fa\u00e7o, sem tentar. A maior parte de meus romances \u00e9 ou sobre jornadas, viagens e movimento, passados em fronteiras e cruzamento de limites, ou abrangem liminaridade, transforma\u00e7\u00e3o, os desafios da mudan\u00e7a nas vidas dos indiv\u00edduos, das fam\u00edlias e da sociedade. Meu hist\u00f3rico familiar tem muito a ver com desenraizamento e enxerto cultural; fomos n\u00f4mades, imigrantes, exilados por gera\u00e7\u00f5es. De fato, alguns de meus ancestrais fugiram primeiro da P\u00e9rsia na dinastia Qajar pela persegui\u00e7\u00e3o religiosa apenas para serem banidos para a col\u00f4nia penal do Imp\u00e9rio Otomano, na Palestina, no s\u00e9culo 19. Mas, ao contr\u00e1rio de meus compatriotas que deixaram o Ir\u00e3 em d\u00e9cadas recentes por raz\u00f5es pol\u00edticas ou econ\u00f4micas, a migra\u00e7\u00e3o em minha fam\u00edlia foi uma escolha espiritual na qual embarcamos livremente, foi uma decis\u00e3o de promover o ideal do mundo como se fosse um pa\u00eds apenas e a humanidade, seus cidad\u00e3os. Minha obsess\u00e3o liter\u00e1ria com a liminaridade, por sua vez, tem menos a ver com a situa\u00e7\u00e3o dos iranianos fora do pa\u00eds \u2013 eles s\u00e3o um dos grupos de migrantes mais exitosos e bem assimilados em qualquer lugar, por sinal \u2013 do que com o fato de que a imigra\u00e7\u00e3o se tornou uma das quest\u00f5es cr\u00edticas do nosso tempo. Escrevo sobre suas v\u00e1rias manifesta\u00e7\u00f5es porque quero enteder mais o impacto da imigra\u00e7\u00e3o e do ex\u00edlio em nossas sociedades, porque quero testemunhar sobre assuntos como inclus\u00e3o e exclus\u00e3o de forma mais completa, como algumas das quest\u00f5es mais urgentes do nosso tempo.<\/p>\n<p><strong>\u00a0TAG &#8211;<em>\u00a0<\/em>Qual \u00e9 o maior desafio de sua carreira como escritora?<\/strong><\/p>\n<p>Bahiyyih &#8211; Responder a perguntas de entrevistas! N\u00e3o estou brincando, esse \u00e9 o aspecto mais dif\u00edcil para mim na carreira de escritora \u2013 falar de mim mesma, minhas ideias, meus motivos para escrever. Eu prefiro falar sobre personagens de um livro e promover a import\u00e2ncia da literatura!<\/p>\n<p><strong>TAG &#8211; Imagine que mais de 20 mil brasileiros receber\u00e3o esse livro ao mesmo tempo. O que voc\u00ea gostaria de dizer a ele neste momento?<\/strong><\/p>\n<p>Bahiyyih &#8211; Primeiramente, obrigada, queridos leitores: obrigada pelo seu tempo, sua confian\u00e7a, sua vontade de suspender a descren\u00e7a apenas o tempo suficiente para abrir estas p\u00e1ginas. E, em segundo lugar, eu espero que voc\u00eas gostem dessa hist\u00f3ria: eu espero que ela os introduza a almas estranhas mas inesquecivelmente familiares, a aquela am\u00e1vel, leve, elevada sensa\u00e7\u00e3o que por vezes vem ao nosso encontro em sonhos, vindo de mundos muito distantes. Hist\u00f3rias que s\u00e3o como uma pessoa oferecendo a m\u00e3o para outra, dizendo \u2018venha comigo\u2019, \u2018vamos a outro lugar\u2019, \u2018vamos caminhar juntos\u2019. Para mim, ser\u00e1 uma grande honra caminhar por essas p\u00e1ginas na companhia de vinte mil brasileiros!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bahiyyih Nakhjavani, autora integrante da di\u00e1spora iraniana, exerce importante papel decifrando assimila\u00e7\u00f5es e experi\u00eancias das comunidades exiladas por meio de seus livros. Nascida no Ir\u00e3 em 1948, mas criada fora do pa\u00eds, Nakhjavani \u00e9 ex-professora e atualmente escreve ensaios e romances. 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